O adeus do editor e amigo a José Saramago

junho 19, 2010

Amigo pessoal do autor português, Luiz Schwarcz, da Companhia das Letras, relata histórias dele no Brasil e conta que o viu morto pelo Skype

LUIZ SCHWARCZ

Acabo de ver o escritor José Saramago morto. Quando a notícia apareceu na internet, liguei pelo Skype para Pilar, que sem que eu pedisse me mostrou José deitado na cama, morto. Tenho falado com Pilar quase todos os dias. Sabia que não havia chance de recuperação, o destino de José já estava traçado, os médicos não acreditavam mais na possibilidade de um novo milagre, como o do ano passado, quando venceu, contra todas as expectativas, os problemas pulmonares que o acometiam.
Posso dizer que José Saramago era um grande amigo meu e da minha família. Quando vinha ao Brasil hospedava-se em minha casa, no quarto que foi da Júlia, minha filha. Detestava hotéis. Viu meus filhos crescerem. Fui conhecer sua casa em Lanzarote logo que se mudou com Pilar, abandonando Portugal.
Assisti emocionado à cerimônia do Nobel em Estocolmo – pouco antes, no hotel, aprovamos, Lili e eu, o vestido de Pilar para o evento. Estava em Frankfurt quando ele recebeu a notícia do prêmio; celebramos juntos.
A obra de Saramago veio para a Companhia das Letras por acaso. No fim da Feira de Frankfurt de 1987, ao me despedir de Ray-Gude Mertin, uma amiga pessoal e agente literária de muitos autores brasileiros, comentei que José era dos meus autores favoritos. Conversa à toa, de fim de feira. Não fazia ideia de que ela representava o escritor português, junto com a editora Caminho, e que estava para mudar Saramago de editora no Brasil.
Atrasei minha partida e voltei, com a bagagem no porta-malas do táxi, para falar com Zeferino Coelho sobre a Companhia das Letras.
Foi tudo muito rápido, “Jangada de Pedra” foi o primeiro livro, lançado em abril de 1988 com a presença do autor no Brasil, junto com Pilar, jornalista que conhecera em 1986 e que mudou tanto a sua vida. A empatia foi imediata, apesar da minha gafe inicial -perguntei-lhe em plena praia de Copacabana se era verdade que, em Portugal, “Psicose”, de Hitchcock, fora intitulado “O Filho que Era Mãe”, e “Vertigo”, “A Mulher que Morreu Duas Vezes”.
Em seguida fui a Lisboa. Já éramos bem amigos, ele queria me mostrar o novo livro que escrevia. Em sua casa, na rua dos Ferreiros à Estrela, José leu trechos de “A História do Cerco de Lisboa”, e me levou para jantar no seu restaurante favorito, o Farta Brutos. Pilar foi minha guia de Lisboa na ocasião, reservou o hotel num velho convento na rua das Janelas Verdes, e mostrou os locais que aparecem no meu livro favorito de Saramago, “O Ano da Morte de Ricardo Reis”.
Comprei com Pilar o primeiro computador de José. Antes disso, ele datilografava três vezes cada livro para entregá-lo completamente limpo a seus editores.
No Brasil, o lançamento de “Jangada de Pedra” foi uma festa interminável. Filas enormes na livraria Timbre e a efusão de beijos e abraços no escritor fizeram-no exclamar, “Luiz, esta gente quer me matar de amor”. Daí para frente, esse amor dos brasileiros por José Saramago só cresceu, suas visitas se tornaram mais frequentes, e vários dos últimos livros lhe ocorreram em viagens pelo país, nas quais estávamos juntos.
Lembro-me ao menos de três ocasiões em que isso aconteceu. A mais recente delas foi em sua última estada no Brasil, quando da publicação de “A Viagem do Elefante”, livro que José resolveu lançar mundialmente aqui, em novembro de 2008, como presente ao carinho e aos amigos brasileiros.
Ele já estava muito fraco, e a viagem era uma ousadia.
Ao chegar em minha casa, numa das nossas primeiras conversas, me disse que não escreveria mais, estava se sentindo velho e cansado.
Depois do evento de lançamento no Sesc Pinheiros, vencida uma fila enorme de autógrafos -Saramago nunca recusava autografar, nem mesmo doente-, fomos ao Rio, para a continuidade dos eventos. Ao pousarmos na cidade, enquanto eu recolhia as bagagens, José anunciou, para Lili, Pilar e eu, que decidira voltar a um velho projeto e que no voo achara a solução que faltava para “Caim”, que virou seu último livro.
Eu poderia contar outras tantas histórias aqui. Poderia até falar das nossas discordâncias, de uma discussão amigável que tivemos, sentados no alto do Bauzinho, em São Bento do Sapucaí, olhando para o horizonte da Serra da Mantiqueira, que nós dois adorávamos. Mas o espaço é curto: um blog, mídia que Saramago curtiu antes que eu.
Em outro momento, quem sabe. Agora só quero me despedir mais uma vez de José. Com as melhores lembranças, o amor, e minha saudade. Maldita palavra, tão portuguesa, que agora ficará associada ao meu amigo. Mas saudade não tem remédio, não é, José?

LUIZ SCHWARCZ é editor da Companhia das Letras, que publica livros de José Saramago no Brasil

Este texto foi publicado no blog da editora (www.blogdacia.com.br)

Folha.com – Mercado – Comissão da Câmara aprova criação de imposto sobre grandes fortunas – 09/06/2010

junho 9, 2010

Folha.com – Mercado – Comissão da Câmara aprova criação de imposto sobre grandes fortunas – 09/06/2010

viaFolha.com – Mercado – Comissão da Câmara aprova criação de imposto sobre grandes fortunas – 09/06/2010.

O próximo passo é criar o “Bolsa Cosmético”

maio 25, 2010

Por Zeca Ribeiro

Desde muito pequeno convivo com pessoas que pedem na porta da minha casa comida, roupas, dinheiro. Porém, hoje fui surpreendido com um pedido inusitado: um batom.
Era dez e vinte da manhã eu ouvindo Chico Science e Nação Zumbi e lendo noticiário na Internet. Toca a campanhinha. Abro a cortina e vejo pelo vidro uma mulher, branca, aparentando uns 35 anos, vestida com calça jeans, blusa azul, uma sacola e as mãos postas, assim, quase num sentido de oração. Sua fisionomia e olhar eram o mesmo de todo pedinte.
Abri a porta e me aproximei, ela perguntou se minha esposa estava em casa, eu disse que não. Mesmo assim fez seu pedido: moço você tem um batom para me dar? Tão inusitado pedido, tive que esperar um tempo para digeri-lo. Enfim, respondi que não. A mulher ia saindo e eu voltando para dentro. Mas a chamei de volta e perguntei por que ela queria um batom. Ela disse que era para usar. Vi que a pergunta era tola.
Mas não era isso que eu queria. Na verdade, eu fiquei mudo, coçando os piolhos, não acreditando que um dia iria ouvir um pedido desses. Queria ver o rosto daquela mulher novamente como uma forma de checar se tinha sido mesmo verdade.
Entrei em casa, sentei em frente ao computador, continuei ouvindo Chico Science e Nação Zumbi. No entanto, não consegui voltar a ler o noticiário. Nenhuma manchete de jornal iria causa-me maior impacto do que este fato. O pedido de um Batom.
A mulher saiu pela rua, batendo palmas e surpreendendo outros moradores. Eu a pensar em muitas coisas. Será que estamos superando as necessidades básicas com o “Bolsa família” e agora daremos um salto para criar o “Bolsa cosméticos”. Lembrei da música do Titãs não queremos só comida, queremos comida, mas queremos amor, arte, porque não, beleza.
Fique tão surpreendido hoje como da mesma forma de quando tomei conhecimento da criação do movimento “Mangue Beat” e seus maracatus eletrônicos. Perguntando-me de onde tinha saído aquilo. Segue o dia, mas já não o mesmo. Tem um Batom no meio.

Os meios de manipulação

maio 12, 2010

Por Guilherme Abreu

Estava eu, preparando para meu repouso cotidiano quando uma reportagem exibida no Jornal Da Globo me chamou a atenção. Esta reportagem foi veiculada na edição do dia 11/05/2010 com texto de Heloísa Torres. A tal dita cuja (reportagem), fala sobre a “Fiscalização dos Portais de Notícia”, que “devem seguir as mesmas regras dos demais veículos de comunicação”.

O principal problema mencionado na matéria é que esse tipo de veiculo não cumpre a lei dos demais onde, o controle editorial é feito por brasileiros e tem no máximo 30% de capital estrangeiro.
Até ai tudo bem, nada mais justo a Associação Nacional de Jornais (ANJ) e a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) recorrerem ao Ministério Público para defender seus direitos perante a Constituição. O que ocorre a esta postagem, é uma “gafe” eu diria, praticada pelo Sr. Dr.Luiz Roberto Barroso ao apontar os “riscos” desses Portais de Notícias, com acesso livre.

“Seria muito ruim alguém estar consumindo um produto pensando que ele é produção nacional, quando na verdade ele é produção estrangeira. Nós temos uma cultura de festas juninas e, talvez, não queiramos substituir por dia das bruxas”.

Vamos traduzir então para quem não entendeu. “-O negocio é o seguinte cambada, vocês estão lendo essas porcarias achando tudo um máximo, tudo muito intelectual, ééé, mais não foi nois que escreveu não, é obra gringa. E outra coisa, é nois que manda aqui nesse quintal, então eu quero que alistem-se no exercito, ganhe um salário mínimo e votem na eleição, não fique ai iludidos com a vida no país do Tio Sam.”

Caramba, da onde saiu tanta asneira da minha cabeça, ah tá, são duas da manhã e eu sou obrigado a engolir e digerir as palavras ditas pela sociedade hipócrita de classe dominante.

Leia a reportagem na integra no link http://g1.globo.com/jornal-da-globo/noticia/2010/05/fiscalizacao-dos-portais-de-noticia-e-tema-de-seminario-em-brasilia.html

Entrevista de Serra a CBN

maio 10, 2010

http://cbn.globoradio.globo.com/editorias/politica/2010/05/10/OUCA-A-INTEGRA-DA-ENTREVISTA-COM-OPRE-CANDIDATO-DO-PSDB.htm

Lewandowski vota a favor da revisão da Lei da Anistia e causa mal-estar no STF

abril 29, 2010

FELIPE SELIGMAN
LUCAS FERRAZ
da Sucursal de Brasília

O ministro do Supremo Tribunal Federal Ricardo Lewandowski abriu a divergência no julgamento da Lei da Anistia, ao votar favoravelmente à punição de agentes do Estado que cometeram atos de tortura na ditadura militar (1964-1985).

Seu voto, contudo, provocou mal-estar. Cezar Peluso e Eros Grau fizeram questionamentos sobre sua conclusão, o que deixou o ministro irritado. Isso porque, ao pronunciar o resultado, ele disse que julgava “procedente em parte” o pedido da OAB, argumentando que o Judiciário deveria analisar “caso a caso” a punição a torturadores.

Peluso, então, pediu ao ministro para explicar melhor o seu voto. Assim também o fez Eros Grau. O ministro Ricardo Lewandowski respondeu que eles poderiam entender após a leitura do voto recém proferido.

“Não estamos aqui questionando a pertinência do seu voto”, disse Peluso, explicando que era necessário entender o que o ministro dizia para evitar problemas na hora da proclamação do resultado.

Outros dois ministros já votaram, Eros Grau e Cármen Lúcia. Apesar de afirmarem que os atos de tortura não devem ser esquecidos, eles defenderam que a anistia foi geral e irrestrita e que, portanto, não pode ser revista agora.

Rede Nacional de Comunicação Pública leva programação da TV Brasil a 100 milhões de brasileiros

abril 28, 2010

Por lampiao – via blog do Nassif

Transmissão simultânea da rede terá início no dia 3 de maio. Na terça-feira (27), representantes das emissoras se reúnem no Rio de Janeiro para formação de Comitê

No dia 3 de maio começa a transmissão simultânea da Rede Nacional de Comunicação Pública (RNCP). Formada pelos quatro canais próprios da EBC, por sete emissoras universitárias e por 15 emissoras públicas estaduais, a rede levará a programação da TV Brasil para cerca de 100 milhões de brasileiros, de 23 estados. Esse número de canais da rede sobe para 765 já que algumas das parceiras dispõem de redes particulares, constituídas por geradoras afiliadas e retransmissoras próprias. Além dos canais de TV aberta, a TV Brasil também pode ser acessada pelos telespectadores na TV por assinatura e por meio da parabólica (banda C).

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Heliópolis faz experiência de festa sem álcool nem drogas

abril 26, 2010

Gilberto Dimenstein em 26/04/10

Aconteceu neste último fim de semana uma festa diferente: trata-se de uma balada movida a rap e a funk em que é proibida a entrada de bebida alcoólica e de drogas. Se alguém acender um “baseado”, leva uma advertência; se insistir, a festa terminar para todos. As rígidas normas não foram estipuladas por adultos, mas pelos próprios jovens de Heliópolis, a maior favela de São Paulo.

É a primeira vez que jovens de comunidades populares recebem treinamento profissional em comunicação para alertar seus colegas sobre os perigos das substâncias psicoativas -o álcool, em particular. O trabalho, desenvolvido por dois anos, focou da publicidade ao jornalismo.

Estimular bandas de funk, hip-hop, samba e pagode a produzir letras que despertem o interesse dos jovens pela saúde faz parte desse projeto de marketing. As baladas são gratuitas e já atraíram os talentos locais, o que significa sucesso na certa.

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O futebol e os bastidores de uma batalha de R$ 3 bi

abril 26, 2010

Por Rodrigo Vianna, 18.04.2010

Nos cadernos de Esporte dos jornais, e nos sites e blogs especializados em futebol, duas notícias ganharam destaque essa semana:

– a possibilidade de a FIFA vetar o estádio do Morumbi como sede para a Copa de 2014 (foi um “furo” do “Estadão”, depois desmentido – em parte – por outros jornais);

– a (re) eleição de Fabio Koff para dirigir o Clube dos 13 (que reúne os maiores clubes de futebol do Brasil).

Quem não acompanha futebol de perto, a essa altura, já deve ter aberto um sonolento bocejo: “ah, isso é papo pra mesa redonda, domingo à noite”.

Engano. As duas notícias estão ligadas, e são a face aparente de uma batalha – milionária e silenciosa – travada nos bastidores do esporte mais popular do Brasil.

Acompanhar essa batalha é tão importante quanto – por exemplo – saber detalhes sobre a fusão do Pão de Açúcar com as Casas Bahia. Ou discutir se o governo vai dar (mais) dinheiro para gigantes da telefonia.

Vamos por partes.

O Clube dos 13 é quem negocia os direitos de transmissão dos jogos na TV. Atualmente, a Globo é a dona do futebol no Brasil. Pagou, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão de reais por 3 anos de exclusividade na transmissão (e repassou à Band parte dos direitos).

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Pesquisa aponta que universitários dos EUA são viciados em internet

abril 26, 2010

25 de abril de 2010| 22h17| Tweet este Post
Por Reuters

Estudantes universitários norte-americanos estão viciados em celulares, mídias sociais e internet, e têm sintomas semelhantes ao vício em drogas ou álcool, de acordo com um novo estudo.

Pesquisadores na Universidade de Maryland pediram a 200 estudantes que ficassem uma dia sem qualquer tipo de mídia e descobriram que, depois de 24 horas, muitos deles mostravam sinais de abstinência, ansiedade e dificuldade de agirem normalmente sem mídias e contato social.

A diretor de pesquisa do projeto e professora de jornalismo da universidade, Susan Moeller, afirmou que muitos alunos escreviam sobre como odiaram perder seus contatos com mídia, que muitos compararam a perder amigos e familiares.

“Claramente, sou viciado e a dependência é doentia”, disse um estudante. “Com BlackBerrys, notebooks, televisão e iPod, as pessoas se tornaram incapazes de ficar sem essa segunda-pele midiática”.

Moeller afirmou que os alunos sentiram falta, principalmente, de mensagens de texto, mensagens instantâneas, email e Facebook.

“Enviar SMS e mensagens instantâneas para meus amigos me conforta”, disse um dos estudantes, que escreveu em seu blog sobre suas reações. “Quando não tinha esses dois luxos, me sentia bem sozinho e isolado da minha vida”.

Poucos estudantes disseram ter assistido às notícias na TV ou lido um jornal.

A Associação Psiquiátrica Americana não reconhece o vício em Internet como doença.